Produção de mel no Brasil em 2025: de onde vem o seu lote

Apiário com caixas de abelha em vegetação seca do semiárido, sob luz dourada do fim de tarde

A produção de mel no Brasil em 2025 bateu o oitavo recorde seguido, e o mapa de onde esse mel sai mudou. Pela primeira vez desde 2022, o Nordeste produziu tanto quanto o Sul. Para quem compra mel em volume, isso não é curiosidade de estatística: a região de origem decide florada, cor, oferta e até a chance de o lote ser orgânico.

O que o IBGE mostrou sobre a produção de mel no Brasil em 2025

Os números são da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) 2025, divulgada pelo IBGE em 30 de setembro de 2026:

Indicador 2025 Variação sobre 2024
Produção nacional 71,3 mil toneladas +4,5% (8º recorde seguido)
Valor da produção R$ 1,2 bilhão +18,5%
Nordeste 26,5 mil toneladas (37,1% do total) estável (-0,1%)
Exportação 34,5 mil toneladas -9,1%

No ranking por estado, Rio Grande do Sul (15,3%) e Paraná (15%) seguem na frente, depois Piauí (12%), Minas Gerais (9,8%) e São Paulo (9%).

Repare em duas linhas da tabela. O volume cresceu 4,5%, mas o valor cresceu 18,5%: o quilo ficou mais caro na média. E a exportação caiu enquanto a produção subiu, o que em tese deixou mais mel no mercado interno em 2025. Em 2026 o quadro é outro, com previsão de safra menor em algumas regiões e o Brasil negociando a volta à União Europeia. Já tratamos disso em safra de mel 2026 menor: como planejar a compra.

Potes de vidro com méis de cores diferentes, do claro ao escuro, lado a lado

Região de origem muda florada, cor e sabor do lote

O mel carrega a vegetação de onde veio. Por isso a mudança no mapa importa para quem tem especificação a cumprir:

  • Sul e Sudeste: forte presença de méis de eucalipto, silvestre e, nas regiões de citros, laranjeira. Eucalipto tende a ser mais escuro e a cristalizar rápido; laranjeira é claro e suave.
  • Nordeste e Cerrado: floradas nativas da Caatinga e do Cerrado, como a aroeira, de cor mais escura e sabor marcante. Os méis silvestres do semiárido variam bastante de safra para safra.

Isso pesa direto na cor em mm Pfund (a escala que mede a cor do mel, do extra branco ao âmbar escuro). Se a sua receita pede mel claro, nem toda origem atende. Se o seu produto aceita mel escuro e de sabor forte, o leque de fornecedores fica maior.

Mais mel no Brasil não quer dizer mais mel do tipo que você precisa. O que conta é a florada, a cor e a regularidade do lote que chega na sua fábrica, e isso depende de onde ele vem.

Orgânico: o Piauí pesa no mapa

O Piauí produziu 8,6 mil toneladas em 2025, com apicultura em 146 dos 224 municípios do estado. Segundo o governo piauiense, cerca de 93% dessa produção tem certificação orgânica. Isso ajuda a explicar por que o Nordeste é um dos principais polos de mel orgânico e de exportação do país.

Para o comprador, a lição é prática: mel orgânico não é só um selo no rótulo, é uma cadeia certificada desde o apiário. Se a sua linha exige orgânico, peça o certificado válido do lote e confira o escopo (produção, beneficiamento, comercialização). A regra de certificação orgânica pode mudar: confirme os requisitos atuais no MAPA.

Para quem quer testar um orgânico em volume menor antes de fechar contrato, a loja tem o mel silvestre orgânico em balde de 5 kg.

Concentrar compra numa só região é risco

O mesmo levantamento mostra o outro lado: enquanto o Maranhão cresceu 37,8%, o Ceará caiu 11,9%, Pernambuco 32,8% e o Rio Grande do Norte 24%. A produção nacional cresceu, mas estados inteiros tiveram ano ruim. Clima, seca e florada fraca mexem com a colheita de uma região sem avisar.

Se todo o seu mel vem de uma única região, uma safra ruim ali vira falta de matéria-prima ou troca forçada de especificação. Algumas formas de reduzir esse risco:

  1. Defina a especificação pelo que importa (umidade, HMF, cor, florada), não pelo nome de uma região só.
  2. Trabalhe com fornecedor que compra de mais de uma região e consegue manter o padrão do lote.
  3. Faça estoque de segurança antes da entressafra, guardado do jeito certo para não perder qualidade.
  4. Tenha uma florada alternativa aprovada em P&D, para trocar sem refazer a formulação inteira.

Se o seu produto aceita mel escuro de sabor marcante, a aroeira é uma das floradas nativas que dá para avaliar em balde:

O que perguntar ao fornecedor sobre a origem do lote

Use este checklist na próxima cotação:

  • De que região e florada vem este lote?
  • O entreposto tem inspeção (SIF, SIE ou SISBI) que permite vender para a minha praça?
  • O laudo é deste lote, com umidade, HMF, diastase e cor?
  • Se for orgânico, qual certificado e qual o escopo?
  • Se a safra da região falhar, de onde vem o próximo lote e com que cor?
  • Como o lote é rastreado do apiário até o balde?

Para ler os números do laudo sem dúvida, veja os 8 critérios técnicos para avaliar um fornecedor de mel e o nosso guia de mel a granel.

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Na próxima compra

O recorde de 2025 é boa notícia para o setor, mas não garante o seu abastecimento. Antes de fechar o próximo pedido, revise a especificação, pergunte de onde vem o lote e tenha um plano B de florada. Os números de produção mudam a cada ano: acompanhe a próxima PPM do IBGE e, para regras de inspeção e orgânico, confira sempre no MAPA.

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