Acordo Mercosul-UE e o mel: o que muda na sua compra
Nos cinco primeiros meses do acordo Mercosul-União Europeia, as exportações brasileiras de mel para o bloco cresceram 367%. Para quem compra mel em volume aqui dentro, o número não é só boa notícia para o exportador: é mais um comprador forte disputando os mesmos lotes que a sua indústria, o seu empório ou a sua marca própria precisam.
O que o acordo Mercosul-UE mudou para o mel
O Mercosul e a União Europeia negociaram por mais de 25 anos e assinaram o tratado em janeiro de 2026. As regras de comércio passaram a valer em caráter provisório em 1º de maio de 2026.
Pelo acordo, a tarifa de importação de cada produto cai aos poucos ou é zerada, e a empresa só tem o desconto se cumprir as condições previstas para aquele item (regras de origem, cotas, documentação). As tabelas e os manuais ficam no Portal Siscomex, do governo federal.
Em 29 de outubro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou o primeiro balanço: comparando maio a setembro de 2026 com o mesmo período de 2025, as vendas dos produtos beneficiados pelo acordo subiram 21%. O mel teve a segunda maior alta da lista, atrás só do abacate.
Os números do mel nos cinco primeiros meses
Os dados do MDIC e do Comex Stat, o sistema oficial de estatísticas de comércio exterior, consultados pelo jornal Movimento Econômico, mostram onde o mel saiu:
| Indicador (maio a setembro de 2026) | Número |
|---|---|
| Alta das exportações de mel para a UE, frente a 2025 | +367% (MDIC) |
| Mel vendido pelo Brasil ao bloco | US$ 10,78 milhões (Comex Stat) |
| Santa Catarina | US$ 2,44 milhões |
| Paraná | US$ 1,96 milhão |
| Piauí | US$ 1,71 milhão (544,3 t, contra 61,4 t em 2025) |
| Nordeste somado | US$ 2,57 milhões, 23,8% do total |
Os valores são FOB, ou seja, o preço da mercadoria no embarque, sem frete nem seguro. E a base de comparação de 2025 era pequena, o que ajuda a explicar um percentual tão alto. Ainda assim, o recado é claro: o mel brasileiro ganhou um caminho mais barato para entrar no maior mercado consumidor da Europa.

Tarifa menor não é o mesmo que porta aberta
Aqui está o ponto que confunde muita gente. Existem duas portas diferentes para o mel chegar à Europa:
- A porta comercial (o acordo). Define quanto de tarifa o mel paga ao entrar no bloco.
- A porta sanitária (a lista de países habilitados). Define se o mel brasileiro pode entrar. Em 2026, a UE retirou o Brasil da lista de fornecedores de produtos de origem animal, e as vendas de mel ficaram impedidas a partir de 3 de setembro, segundo a Globo Rural. Explicamos a auditoria e o calendário da volta em Mel na União Europeia: o que a volta muda na sua compra.
Repare nas datas: boa parte do salto de maio a setembro aconteceu antes do bloqueio sanitário. Quando a habilitação voltar, a tarifa menor do acordo já estará lá esperando. É a combinação das duas portas abertas que pode puxar ainda mais mel para fora do país.
Datas e trâmites mudam. Antes de tomar uma decisão grande com base nisso, confira as notícias do MAPA e do MDIC.
Por que mais exportação pesa na sua compra
O mel é um só mercado. O lote que vai para o tambor de exportação é o mesmo tipo de lote que poderia ir para o seu balde. Quando um comprador externo passa a pagar melhor ou a pagar menos imposto, três coisas costumam acontecer:
- Mais disputa pelos lotes bem documentados. O exportador precisa de rastreabilidade, laudo e inspeção federal. São exatamente os lotes que a indústria também quer.
- Pressão no preço do quilo. Não é previsão, é lógica de mercado: menos mel sobrando aqui dentro tende a firmar o preço. Vimos como a exportação já pesava no custo em Preço do mel a granel em 2026.
- Origem e florada mais disputadas. O Piauí, que mais cresceu nas vendas ao bloco, é também um dos grandes polos de mel orgânico do país, como mostramos em Produção de mel no Brasil em 2025. Se a sua linha depende de mel orgânico ou de uma florada específica, é aí que a disputa aparece primeiro.
O acordo com a União Europeia não muda o seu preço de um dia para o outro. Ele dá ao exportador mais um motivo para disputar o mesmo lote bem documentado que você compra. Quem tem volume planejado e especificação fechada negocia antes.
O que fazer na próxima compra
Você não precisa exportar para ser afetado pelo acordo. Precisa só se organizar antes da concorrência:
- Faça a conta do consumo dos próximos 3 a 6 meses. Com o volume na mão, dá para negociar entrega programada em vez de comprar no susto.
- Feche a especificação por escrito. Florada, cor em mm Pfund (a escala que mede o mel de claro a escuro), umidade e HMF (o indicador de aquecimento e envelhecimento do mel), dentro dos limites da Instrução Normativa nº 11/2000 do MAPA, o regulamento técnico do mel.
- Peça o laudo do lote, não um laudo genérico. O número do lote no laudo tem que bater com o do balde. Veja como ler cada número do laudo.
- Confira a inspeção. Mel com SIF (Serviço de Inspeção Federal) circula em todo o país.
- Se usa orgânico, garanta o documento. O certificado do lote é o que mais vai ser disputado. O que pedir está em Mel orgânico no atacado.
- Só estoque a mais se tiver onde guardar. Galpão fresco, escuro e com giro de estoque (primeiro que entra, primeiro que sai). Comprar mais e perder o lote por calor sai mais caro que qualquer alta.
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Para testar uma florada ou abastecer um consumo menor antes de fechar volume, o balde de 5 kg é o formato mais prático. Se a sua linha é orgânica, há também o mel silvestre orgânico em balde de 5 kg.
Em resumo
O acordo Mercosul-UE tornou o mel brasileiro mais competitivo na Europa, e os primeiros cinco meses já mostram o efeito. A porta sanitária ainda precisa reabrir por completo, mas, quando isso acontecer, o exportador volta com tarifa menor e mais apetite. Use as próximas semanas para fazer a conta do seu consumo, revisar a especificação com o fornecedor e decidir quanto quer garantir agora.
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