Extrato de própolis para indústria: teor, solvente e regra

Pedaços de própolis bruta e frascos conta-gotas âmbar sem rótulo sobre bancada clara

Dois frascos de extrato de própolis podem parecer iguais e ter muito pouco em comum. Muda o teor de própolis dissolvida, muda o solvente, muda a regra que vale para o produto. Para quem compra extrato de própolis para indústria, seja para alimento, cosmético ou outra aplicação, entender esses três pontos é o que evita um lote que não serve para a sua formulação.

Própolis bruta e extrato: não é a mesma matéria-prima

A própolis é a resina que as abelhas recolhem de brotos e cascas de plantas e misturam com cera. No Brasil, ela tem cor e origem vegetal diferentes conforme a região: verde, vermelha, marrom (explicamos em própolis verde, vermelha e marrom).

A própolis bruta não se dissolve em água e vem com cera e impurezas. Por isso a indústria, na maior parte dos casos, compra o extrato: a própolis já dissolvida num solvente, filtrada e padronizada.

Pedaços de própolis bruta escura e esverdeada sobre uma superfície de madeira

Extrato seco: o número que diz quanto de própolis tem no frasco

O dado mais importante da ficha é o extrato seco: quanto sobra de sólidos da própolis quando o solvente evapora. Ele mostra quanto de própolis está de fato no líquido.

Quando um extrato é vendido como "11%", esse número costuma se referir ao extrato seco. A Instrução Normativa nº 3/2001 do MAPA, que traz o regulamento técnico do extrato de própolis, fixa 11% de extrato seco como mínimo para o produto ser chamado de extrato de própolis.

Teor de extrato seco maior não é, por si só, melhor ou pior: é um dado de formulação. O que importa é que ele seja constante de um lote para o outro e esteja escrito no laudo.

Solvente: alcoólico, glicólico ou aquoso

Tipo de extrato Solvente Onde costuma aparecer Cuidado na compra
Alcoólico Álcool de grau alimentício Alimentos e suplementos, uso tradicional Teor alcoólico máximo pela IN 3/2001 (70%); conferir se o álcool é próprio para alimento
Glicólico Propilenoglicol ou glicerina, às vezes com água Cosméticos (cremes, xampus, sabonetes) Ficha técnica com o solvente, a proporção e o nome INCI
Aquoso ("sem álcool") Água, com processo próprio de extração Produtos que não podem ter álcool Extração menos eficiente: compare o extrato seco e os fenólicos com cuidado

O solvente muda a cor, o cheiro, a compatibilidade com a sua fórmula e até a regra que se aplica ao produto final. Um extrato glicólico pensado para cosmético, por exemplo, não é o ingrediente certo para um alimento.

O que a IN 3/2001 do MAPA pede do extrato

Além do extrato seco, o regulamento técnico do extrato de própolis (IN 3/2001 do MAPA) traz outros requisitos físico-químicos. Os que mais aparecem nas fichas:

  • Extrato seco: mínimo de 11% (m/v).
  • Compostos fenólicos: mínimo de 0,50% (m/m).
  • Flavonoides: mínimo de 0,25% (m/m).
  • Teor alcoólico: máximo de 70% (v/v), no extrato alcoólico.

Esses números definem a identidade e a qualidade do extrato como produto. Eles não são uma promessa de efeito: própolis é ingrediente, e o que o seu produto final pode dizer no rótulo depende da regra da categoria dele.

Aqui entra o cuidado com a regulação. O extrato de própolis segue o MAPA como produto apícola. Quando ele vira ingrediente de cosmético, de suplemento ou de medicamento, entram também as regras da ANVISA para cada categoria. Essas normas mudam. Confira a versão em vigor no site do MAPA e da ANVISA antes de formular e rotular.

No extrato de própolis, compre por especificação: extrato seco, solvente, compostos fenólicos e flavonoides escritos no laudo do lote. "11%" no rótulo sem laudo é só um número.

O que pedir ao fornecedor de extrato de própolis

Use esta lista na cotação e na homologação:

  1. Ficha técnica com tipo de própolis (verde, marrom, vermelha), solvente e proporção.
  2. Laudo por lote com extrato seco, compostos fenólicos, flavonoides e, no alcoólico, teor alcoólico.
  3. Registro de inspeção do estabelecimento que produz o extrato.
  4. Origem da própolis e rastreabilidade do lote, do apiário ao envase (veja como funciona em rastreabilidade do mel, que vale também para a própolis).
  5. Validade e condição de armazenagem: frasco escuro, bem fechado, longe de calor e luz.
  6. Para cosmético: nome INCI e a proporção de solvente para a sua documentação.
  7. Amostra do mesmo lote para teste de aplicação: cor, cheiro e estabilidade na sua fórmula.

Se você está avaliando o perfil antes de cotar volume, vale começar pelos formatos de varejo para conhecer cor e aroma. O extrato de própolis verde 11% de 30 ml e o extrato de própolis marrom de 20 ml estão na loja; a linha completa fica em própolis e extratos.

Frasco de extrato de própolis verde 11% de 30 ml

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Na próxima compra de extrato de própolis

  • Defina primeiro a aplicação: alimento, cosmético ou outra. Ela decide o solvente e a regra.
  • Escreva a especificação: tipo de própolis, solvente, extrato seco, fenólicos e flavonoides.
  • Exija laudo com o número do lote e compare com a especificação.
  • Teste a amostra na sua fórmula antes de fechar volume.
  • Confira no MAPA e na ANVISA o que o rótulo do seu produto final pode e não pode dizer.

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